Nos últimos meses, o crédito consignado com garantia do FGTS tem ganhado destaque como uma alternativa interessante para os trabalhadores acessarem empréstimos com juros mais baixos. A contratação é simples e feita diretamente no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Com ela, o trabalhador pode usar até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória como garantia.
Até julho de 2025, cerca de 2,8 milhões de trabalhadores já haviam contratado essa modalidade. Mas atenção: embora o benefício seja para o empregado, a responsabilidade operacional e legal recai sobre o empregador.
O que cabe ao empregador?
Mesmo que o trabalhador consiga o empréstimo sem consultar a empresa, o empregador é notificado automaticamente pelo Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET). Por isso, é essencial que o RH ou setor responsável acesse o DET com frequência.
Além disso, o portal Emprega Brasil/Empregador oferece informações mais detalhadas sobre os contratos de empréstimos dos empregados. A empresa deve:
- Descontar mensalmente a parcela na folha de pagamento
- Repassar o valor junto com a guia do FGTS
- Manter os dados atualizados e sem erros
Qualquer falha nesse processo pode gerar multas e penalidades legais.
Cuidados que evitam dor de cabeça
A seguir, listamos os principais pontos de atenção para evitar riscos:
Acesso frequente ao DET e ao portal Emprega Brasil. Todas as notificações sobre os empréstimos dos empregados são feitas por esses
canais. Ignorar essas comunicações pode sair caro.
Precisão nos lançamentos. Os valores descontados e repassados devem estar alinhados com os dados oficiais. Divergências podem comprometer a operação.
Automação e integração com a folha de pagamento. Sistemas integrados ajudam a reduzir erros e manter a conformidade com as obrigações mensais.
Cuidado nas demissões. Se o empregado for demitido, o desconto sobre as verbas rescisórias não pode ultrapassar 30% (trinta por cento). O restante das parcelas deverá ser pago
diretamente ao banco.
Conclusão
O crédito consignado com garantia do FGTS é, sem dúvida, um avanço para os trabalhadores. Mas, para as empresas, isso exige mais atenção e responsabilidade. Estar em dia com a legislação, garantir a exatidão das informações e manter um bom controle de dados evita problemas futuros — e fortalece a relação de confiança com seus colaboradores.