Simples Nacional e Reforma Tributária: o que muda para Pequenas Empresas que vendem para outras empresas (B2B) 

A Reforma Tributária, aprovada em 2023 e detalhada em 2025, trouxe mudanças importantes para micro e pequenas empresas. 

O Simples Nacional, criado para simplificar o pagamento de impostos e incentivar a formalização, continua existindo. Porém, as novas regras podem trazer desvantagens para quem vende para outras empresas — o chamado modelo B2B (business-to-business). 

O que mudou no Simples Nacional? 

Foi criado um novo formato chamado Simples Nacional Híbrido. Nele, parte dos impostos continua sendo paga no sistema simplificado, mas dois tributos — IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — precisam ser calculados e pagos separadamente, com regras mais complexas. 

Na prática, isso significa mais burocracia, mais trabalho contábil e mais risco de erro. 

O problema dos créditos de impostos 

Antes da reforma, quando uma empresa comprava de outra no Simples Nacional, podia usar parte do valor pago como crédito para abater seus próprios impostos. Isso ajudava as pequenas empresas a competir. 

Com a nova regra, quem compra de uma empresa do Simples não poderá mais usar créditos de IBS e CBS. 

Resultado: muitas empresas vão preferir comprar de fornecedores que não estejam no Simples, para não perder esse benefício. 

Isso pode levar a dois cenários para as pequenas empresas que vendem para outras empresas: 

  1. Migrar para um regime de impostos mais complexo para não perder clientes. 
  1. Dar descontos para compensar a falta de crédito, reduzindo o lucro. 

Quem vende para o consumidor final continua com vantagem 

Se a sua empresa vende direto para o cliente final (B2C), como restaurantes, salões de beleza ou lojas, essa mudança quase não afeta o negócio. Isso porque o consumidor final não usa créditos de impostos. 

Simples Nacional x Simples Nacional Híbrido — Pós-Reforma Tributária 

Simples Nacional (tradicional) 

Vantagens 

  • Guia única para pagar a maioria dos impostos 
  • Menos burocracia e controles mais simples 
  • Ótimo para quem vende direto para o consumidor final (B2C) 
  • Mais previsibilidade no fluxo de caixa 

⚠️ Desvantagens 

  • Clientes empresas não podem aproveitar créditos de IBS e CBS 
  • Reduz competitividade no B2B 
  • Para faturamento próximo ao teto (R$ 4,8 milhões/ano), a carga pode ser alta 

Simples Nacional Híbrido 

Vantagens 

  • Clientes podem aproveitar créditos de IBS e CBS (vantagem no B2B) 
  • Mantém alguns benefícios do Simples (IRPJ e CSLL unificados) 
  • Ajuda a manter clientes corporativos exigentes 

⚠️ Desvantagens 

  • Mais burocracia e complexidade 
  • IBS e CBS pagos separadamente 
  • Custos administrativos mais altos e maior risco de erros 

Resumo Rápido 

  • B2C (venda ao consumidor final): Simples Nacional tradicional tende a ser mais vantajoso. 
  • B2B (venda para empresas): Simples Híbrido pode ser necessário para manter competitividade. 

O que fazer agora? 

Para quem vende para outras empresas, ficar no Simples Nacional pode deixar de ser vantajoso. Não existe resposta única: é preciso analisar quanto sua empresa fatura, seus custos e se seus clientes precisam dos créditos de impostos. 

A melhor decisão vem de simulações e planejamento tributário. O objetivo é encontrar o regime que traga menos custo e mais competitividade para o seu negócio. 

Resumo final: O Simples Nacional deixou de ser uma escolha automática. Agora, a decisão precisa ser estratégica e baseada em números, para garantir que sua empresa continue competitiva e saudável financeiramente.

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Dr. Maurício Bianchi

Dr. Maurício Bianchi é professor, advogado, especialista em direito tributário e societário, mestre em direito. OAB/RS N.39.314

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